quarta-feira, 28 de agosto de 2013


Como é surpreendente a intolerância humana. Julgar pelo simples fato de crer que a verdade que se defende, é a incontestável do mundo. Hoje, presenciei uma das cenas que contribuem para a minha revolta com a inabilidade das pessoas em aceitar o outro, como indivíduo. Sei que carrego comigo meus preconceitos, pré julgamentos e críticas pessoais, como qualquer outro. Mas tudo isto valida meus pensamentos como verdades? Com toda certeza, não. Com nosso livre arbítrio, temos a capacidade em aceitar situações ou não. Com nossa "liberdade" de expressão, temos o poder de decisão sobre o que devemos dizer ou não. Entretanto, quando as pessoas se enchem de discursos vazios, baseados em uma pseudo cultura, onde a distância do "quadradinho de oito" e o discurso "Abaixo, Rede Globo!", os fazem superiores, me entristece. Achar que cultura se resume a escutar Chico Buarque, assistir Globo News e discutir política. O que são excelentes atividades, mas vivemos em um mundo eclético, de muitas formas e crenças. Tem cultura, também, quem assiste Ratinho, gosta de funk e discute futebol. Creio que as pessoas deveriam se unir mais pelo bom humor, pela tolerância. O grande problema atual são os discursos. Talvez, este seja o problema da humanidade. Partidos se enchem de orgulho de seus princípios e não abrem mão para a discussão de falhas, as defensoras da religião se unem na briga por fiéis, as universidades estão "escancarando" as portas, oferecendo até computadores para o recrutamento de estudantes. Há propaganda política em todo lugar. E, política, se refere também a nós seres humanos. Sob a forma de reis do discurso, perdemos a capacidade de escutar. ESCUTAR, ESCUTAR. Porque é muito mais fácil ir para as ruas e reclamar, sob a face pintada e o discurso vazio do cartaz. Mas, o que fazemos no dia-a-dia? Como é que discutimos o que vemos de errado, até mesmo nas nossas relações? Apontamos nossos próprios erros? Nos preocupamos em conversar com o outro? A gente perde muito tempo, tentando ser líder, ser defensor, ser crítico. E, quer saber? Não estamos errados. Mas o bom humor, a forma de lidar, pacificamente, com as decisões alheias, a vontade de rir da vida, sem discursos... Essa, se perde na velocidade em que as pessoas enlouquecem, tentando entender o mundo. Devemos indagar, para mudar. Mas comecemos por nós mesmos. Não há nada mais ridículo e podre, que o julgamento alheio, sem olhar o próprio umbigo. Como um aspirante a comunicador social, fico triste em perceber a hipocrisia que surge com o ego exacerbado, com a política do "eu sei mais, que você!". Fico triste por também sofrer desse mal. Mas feliz em reconhecê-lo, em mim. Não falta inteligência ao mundo, falta bom humor. E, esse só se consegue com o tempo. Lembrando que, bom humor não se trata de sorrir o tempo todo. Mas em reconhecer seus limites, dar oportunidade ao outro e viver sob a forma do conhecimento mútuo e não do individual, que lhe coloca um ponto final em suas opiniões.Na luta do quem me representa e quem não, estamos sem representação própria. Sabe quem representa você? Você. Então, esse outro que julga quem decide, por livre e espontânea vontade, o outro de querer rir de si mesmo, segue a mensagem: enquanto você acha que mudar é só contestar o mundo e as atitudes alheias, eu acho que mudar é começar de si mesmo! Meu caro, esta é minha opinião. Fico grato em saber que é só mais uma entre tantas. Que jamais será a única e a correta. Esse é o exercício da tal liberdade em que vivemos. (Adilson Júnior)

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