terça-feira, 20 de agosto de 2013

 Passado presente


Estranho pensar em como o tempo passa. Minha vida, ainda que não possa ser chamada assim, está sendo relembrada, sendo que não me lembro de ter vivido tanto. Minhas novelas favoritas estão sendo refeitas. Minhas músicas estão sendo regravadas, em novas versões e ritmos. Minhas brincadeiras de rua estão ultrapassadas pelos computadores de última geração. Minhas roupas estão fora de moda e meus cantores favoritos estão envelhecendo e anunciando o fim da carreira. As celebridades que estampavam as revistas estão, agora, em programas que têm por objetivo analisar como anda a vida delas, depois do sucesso. E meus jornais já não existem. Minha moeda já foi trocada, a fita da minha câmera não pode mais ser encontrada. Meu celular, de capinha e luz azul, com o jogo "Snake" foi trocado pelos "Touch". E, cortar frutas, virtualmente, ficou mais interessante que colhê-las no pé. Meus amigos conversam pela internet e a brincadeira do telefone sem fio, desapareceu. As cartas de amor viraram torpedos e eu não sabia o que era Youtube. Alugava meus filmes na locadora, que agora podem ser baixados na internet. Muitas músicas eram conhecidas pelo carro de som e pela TV. Não sabia traduzir as letras e não me importava com o que as pessoas diziam. Conhecia as garotas pelo olhar e não pelo clicar. O sorvete que eu tomava foi industrializado, meu sabonete ganhou anti bactericidas e minha televisão ganhou algumas polegadas e emagreceu. Minha internet não tem mais o ritual de sons para conectar e minhas fotos são eram ruins, quando queimavam. Percebo, mais uma vez, que as mudanças são inevitáveis. Demoramos a nos adaptar, mas sempre conseguimos. Afinal, nada se torna lembrança, se um dia não foi novidade. Mas, às vezes dá uma falta do tempo que não volta. Olhar para frente é essencial, mas é bonito preservar nossa história. Não queremos um remake da nossa vida, porque as mudanças são fundamentais. Mas sinta sempre falta das coisas que ajudaram a construir quem você é hoje. Porque o mundo pode mudar, mas a nossa capacidade de não esquecer o que foi importante, não pode desaparecer, jamais. (Adilson Júnior)

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