terça-feira, 20 de agosto de 2013

Estranho caminhar por tantos lugares e encontrar o mundo do mesmo jeito. É estranho sentir falta do que fica pra trás e, meio segundo depois, retroceder e sentir a perda do outro momento, a que antes desprezávamos. É intimamente estranho acreditar que tudo pode se tornar diferente quando, no auge das lembranças, você se esquece de esquecer. Parar de pensar um pouco e lograr a labuta de sempre ir em busca do que te dá prazer. Do que te tira do chão e te faz sorrir. É comum dizer ao outro o tamanho do nosso amor, amizade, saudade, tristeza, alegria, mas não é comum partilhar o silêncio. Fala-se demais, tão intimamente, por pouco! Fala-se do que não pode ser falado e ouve-se o que não devia ser ouvido. Comem-se as lembranças e ficam as palavras soltas, como numa sopa de letras, em que se encontram frases distorcidas, mal feitas e sem nexo. Tenho um problema muito sério que é característico a muitas outras pessoas: não sou capaz de confiar no que me dizem, mas no que me provam. A distração faz flutuar a confiança. Se não confiança, não há mais resquício de relações. Dizem que ela é tudo, passa o tempo e descobrimos que confiar é apenas uma parte pequena. Tão pequena e tão importante. Resta a dúvida: é possível, num mundo onde palavras são jogadas, confiar em quem? Rezo pelo dia em que os seres humanos possam confiar cegamente. Porque confiança sempre se perde com os olhos abertos. E recupera-se na escuridão. Eureca! (Adilson Júnior)

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